Grupo Desportivo "Tigres do Zêzere"
Localidade: Janeiro de Cima, Fundão
Modalidade: Futebol e Futsal
Casa: Campo Rio de Janeiro / Polidesportivo de Janeiro de Cima
Num dos vales da margem esquerda do Rio Zêzere, que separa os distritos de Coimbra e Castelo Branco, fica a freguesia de Janeiro de Cima, no concelho do Fundão, local onde no primeiro dia do ano de 1963 foi fundado o "Grupo Desportivo Tigres do Zêzere", por um grupo de entusiastas do desporto na aldeia.
O futebol era já o desporto bem presente, desde os anos '50 era praticado regularmente pela juventude janeirense, que logo após a criação deste clube viu ser inaugurado o campo de São Sebastião, situado não muito longe da aldeia junto da capela com o mesmo nome, e onde se passaram a disputar os jogos de futebol, porém ainda com condições insuficientes. A construção de um novo campo foi uma das prioridades do clube, e a juventude deitou literalmente mãos à obra, e com esforço conseguiu em 1975 inaugurar o novo Campo Rio de Janeiro, situado perto do parque fluvial nas margens do Rio Zêzere.
Ao longo dos anos o Tigres do Zêzere foi realizando partidas amigáveis contra outras equipas de terras vizinhas, como por exemplo de Dornelas do Zêzere, Barroca e São Martinho. Tendo mais tarde começado a aparecer outras modalidades desportivas, como atletismo, ténis de mesa, xadrez, sueca, e futebol de cinco, que com a inauguração do ringue polidesportivo em 2003, passou a ser uma das principais modalidades, com regular participação e organização de torneios.
Mas o futebol, mesmo que menos praticado, continuou sempre a ter lugar, com o clube a participar no Torneio Inter-aldeias em 2004, onde inclusivamente atingiu as meias-finais. Desde então o Tigres do Zêzere tem-se mantido como a principal coletividade de Janeiro de Cima, na parte desportiva o futsal é hoje o desporto mais popular, mas realiza também actividades culturais e recreativas, e tem a sua importância social enquanto espaço de convívio para a população, numa localidade que como tantas outras sofre com a desertificação, mas que se pode orgulhar de ter um clube ainda bem vivo,
Centro de Cultura e Desporto Arsenal Futebol Clube da Covilhã
Tudo começou em 1952 com um grupo de jovens jogadores, que tinham saído dos juniores de vários clubes da cidade, nomeadamente do Sporting Clube da Covilhã, do Clube Desportivo da Covilhã e do Grupo Desportivo Covilhanense, e que tiveram a ideia de formar uma colectividade desportiva para se manterem em actividade e continuarem a jogar futebol.
Inicialmente os jovens não tinham ainda em mente qual seria o nome deste novo clube, e ao procurarem possíveis camisolas para o seu equipamento, depararam-se com a do Arsenal (clube inglês que tinha vindo jogar a Portugal naquela altura), e chegaram então à conclusão que o clube se poderia chamar Arsenal. Com algumas dificuldades na compra dos equipamentos, e até sem sede própria, o clube consegue avançar, nos primeiros tempos a sua equipa participou em muitos torneios de futebol, tendo ganho alguns, e o próximo passo foi avançar com a equipa para os campeonatos da FNAT (antiga designação do Inatel), onde se estreou na época de 1953/54, e como o clube não estava ainda legalizado foi necessário proceder ao seu registo para poder participar na competição, nasceu assim oficialmente em 1954 o "Centro Recreativo e Popular Arsenal de São Francisco", em homenagem ao santo que dá o nome à Igreja de S. Francisco, e em cujo jardim estes jovens se tinham reunido anos antes para criar o clube.
O Arsenal esteve depois em competição no campeonato da FNAT durante alguns anos, tendo-se sagrado campeão em 1957/58, a sua equipa de futebol, apesar de amadora, constituiu-se como uma das mais populares da cidade, e durante décadas promoveu o desporto entre os mais jovens. A participação do Arsenal nos campeonatos de futebol do Inatel, durou até aos anos '70, altura que esta competição teve um declínio, não se tendo disputado em nalguns anos devido à falta de equipas. O clube entrou depois num período de inactividade tendo sido reativado apenas em 1996. Ao longo da sua história foram aparecendo outras modalidades desportivas, como o atletismo, andebol, basquetebol, ciclismo, pingue-pongue, pesca, sueca, damas, xadrez, matraquilhos e o futsal, onde na sua vertente feminina chegou a ter uma equipa federada, que competiu no campeonato distrital da época de 2003/04 à de 2006/07. Para além disso o Arsenal continua a participar ativamente em torneios de futsal e a organizar outras atividades. O clube veio a alterar a sua designação oficial, passando-se a chamar somente "Arsenal da Covilhã" e a remover a sua associação ao nome de São Francisco, como forma de reforçar assim a sua identidade.
Associação Académica Albicastrense
Localidade: Castelo Branco
Modalidade: Futebol
Casa: Estádio Municipal Vale do Romeiro
A Associação Académica Albicastrense nasceu como todas as outras associações de estudantes que existiam em todo o país, criada como um núcleo estudantil que promovia o convívio e a realização de atividades no âmbito académico e não só, entre os estudantes de instituições de ensino. Esta associação estava direcionada aos estudantes afetos ao então Liceu Nacional de Castelo Branco (mais tarde renomeado Liceu Nuno Álvares), único estabelecimento de ensino secundário presente na cidade, e um dos poucos em todo o distrito.
O ensino liceal de então não era frequentado por toda a gente, apesar de ser público apenas tinha acesso a este nível de ensino um número reduzido de famílias, quem tinha algumas posses ou condições para colocar os filhos a estudar. Os liceus por esta altura (nos anos '30/'40), tinham uma certa semelhança em termos de tradição, cultura e simbolismo com as universidades, nomeadamente a existência de tunas académicas, o facto de os alunos de liceu também envergarem traje e as associações académicas.
Nasceu assim em 1934, o "Grupo Desportivo da Associação Académica Albicastrense", e uma das suas primeiras atividades foi a prática do futebol, desporto que não era ainda muito conhecido mas que vinha ganhando uma certa popularidade, e inspirada nas equipas de futebol já existentes noutras associações, os jovens do liceu organizaram uma equipa e começaram a realizar partidas amigáveis, não só contra equipas da cidade, mas também com equipas do Fundão e Covilhã. No final da década de '30 houve uma grande aderência da população ao futebol, o que levou à criação de muitos clubes na cidade, os jogos eram realizados no campo de futebol da Devesa, localizado mesmo no centro de Castelo Branco, perto do Quartel de Cavalaria, tendo depois mudado para o campo do Vale do Romeiro. A equipa da Associação Académica logo deu nas vistas, não só por se apresentar toda de negro, mas também por os seus jogadores serem todos muito jovens, em virtude de serem estudantes liceais.
O futebol nesta coletividade continuou com jogos amigáveis dentro e fora da cidade, e com uma constante renovação de jogadores, visto que a equipa era exclusivamente composta por estudantes, e muitos jogadores tinham de abandonar a equipa assim que terminavam os estudos, até porque muitos alunos eram de fora da cidade. A Associação Académica Albicastrense foi em 1936, um dos dez clubes fundadores da Associação de Futebol de Castelo Branco, e participou no 1.º campeonato distrital disputado na época de 1936/37, as exibições da equipa foram modestas, com os "camisolas negras" a competir ainda na época seguinte. no entanto foi a última temporada da Associação Académica no distrital, após a qual abandonou o futebol.
Apesar de ter abandonado o desporto, a Associação Académica Albicastrense, como associação estudantil que era, terá existido ainda até aos anos '60 com outras atividades, tendo depois desaparecido. O futebol no Liceu teve depois outras participações com equipas nos campeonatos distritais nas camadas jovens, com a designação de "Liceu Nacional de Castelo Branco" e nos anos '80 como "Escola Secundária Nun'Álvares" (que inclusivamente foi campeã distrital de iniciados em 1982/83), até que nos anos '90 o Desporto Escolar estabeleceu competições internas próprias entre os vários estabelecimentos de ensino a nível nacional, e as escolas passaram a competir apenas entre si.


